segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Vento

Ontem o vento passou pelos meus cabelos e sussurrou no meu ouvido:
- Sinto que em seus olhos faltam o brilho da felicidade.
- Mas porque você diz isso vento?
- O seu sorriso está ai, sua risada também. Mas os seus olhos não sorriem mais, aquele brilho com que costumava me deparar não está mais aí.
Eu não sabia o que dizer, lá no fundo eu sabia que o vento tinha razão. Não admitira à ninguém a minha fraqueza e até agora ninguém havia me questionado.
- Nem se quer as pessoas mais próximas de mim perceberam isso. Como é que você consegue?
- O amor é como o vento, a gente não vê... Apenas sente.
Com lágrimas nos olhos, eu não sabia o que responder. O vento foi embora, mas deixou comigo a sua brisa gélida, a certeza concreta de que eu não era feliz.

Passaram-se alguns dias, caminhando pelo parque o vento tornou a sussurrar em meus ouvidos:
- Pois ainda choras sem lágrimas minha linda?
- É vento, minha consciência grita para que eu tenha uma atitude, porém, meu coração grita para que eu tenha outra.
- E porque não segues seu coração?
- Por que minha consciência está gritando que meu coração é uma besta abobada.
- Mas às vezes nem sempre temos que apenas seguir a razão. Assim como eu, a vida vai embora rapidamente e não tem reversão. Se você se arrepender de algo amanhã, vai ser só mais um peso na sua consciência.. Algo irreversível.
Fui sentindo que a brisa gostosa do vento estava me deixando, mais uma vez, sem respostas. Rapidamente gritei para o vento:
- Não vento, não se vá! O que eu devo fazer?
Quase se esvaindo o vento disse: - O dia em que você parar de procurar respostas para tudo, você vai saber fazer as perguntas certas. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Ame, ria, chore, sofra se for necessário... Mas não termine dizendo “Eu não tentei.”

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